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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Revivendo a Maldição


E quando acordei, não pude ver mais do que a escuridão. Minha visão estava negra, ou seriam ainda meus olhos fechados e dormentes?
Levantei-me cautelosa da grama úmida que me acalentava com seu leve cheiro de terra molhada. Queria ficar ali, deliciando-me daquele aroma doce e calmo, mas decidi levantar e descobrir onde eu estava.
A mata era espessa e de grande extensão, certamente uma floresta. Nada ali fazia sentido. Como eu, uma garota da cidade grande, morando em uma das maiores metrópoles do mundo, fui parar em uma floresta a noite?
Continuei andando incerta de direções até notar algo de estranho em minha visão. Tudo parecia embaçar sair de foco. Senti um pouco de tontura, procurando por apoio em um galho ou qualquer coisa que me evitasse um tombo. Agarrei-me a uma pequena árvore ao lado e procurei Deus sabe o que. Uma saída, uma luz, alguém.
Alguém.
Leve como uma sombra, branca como a luz.
Passou tão rápido que mal tive tempo de pensar que era alguém.
- Olá! – gritei com voz fraca.
Parecia que algo se agarrava a minha garganta com força sufocando o pouco de voz que eu tinha. A tontura voltou e o ar parecia sumir, desvencilhando-se de minha, agora frágil, existência.
O silêncio sentenciou minha morte após meu grito por socorro. Nada nem ninguém poderia me ajudar. Escorreguei aos poucos do forte tronco onde me recostava quase sem alma, quase sem vida.
Ao tocar novamente a grama molhada, senti-me talvez viva, ou talvez próxima ao céu. O doce aroma de terra molhada subia e enchia meus pulmões como em um resgate.
- Ei – ouvi de repente um sino.
Sua voz era doce, mas temerosa. Pareceu-me um grito de esperança ao ver que eu não estava sozinha.
- Por favor – esforcei-me para dizer – Ajude-me.
Abri meus olhos e vi uma pequena luz. Seus cabelos dourados caiam lisos e longos por suas costas e ombros. Ela olhava para o lado, não podia ver seu rosto coberto pelos fios amarelados.
Olhei novamente e ela sumiu.
O que estava acontecendo? Minha ajuda para onde fora? Eu ficaria ali, talvez por merecer, talvez por não merecer, ou simplesmente por que eu não tinha escolha.
Olhei para frente novamente e a vi. Sua luz, entretanto, não mais brilhava. Seus cabelos agora corriam o negro da noite. Ela estava de frente, ela me encarava por trás do manto de escuridão que a cobria.
Eu deveria chorar de felicidade, lá estava minha ajuda. Lá estava a voz doce. Mas não me senti feliz. Algo nela me perturbava, me deixava inquieta, não sabia que sensação era...
Ela se moveu então. Juro por Deus, preferia que não o fizesse. Seus movimentos eram parados e difíceis, mas seguidos. Sua cabeça pendia para os lados enquanto as costas se curvavam em minha direção. Um ruído baixo saia de seu peito ameaçadoramente. Ela parecia uma felina em minha direção. E lá estava eu, me sentindo uma presa. Os músculos contraídos e a cada passo, um fio de vida que se perdia..
Da densa neblina ela passou revelando uma forma desfigurada no lugar de um rosto. A pele queimada de sua face destacava-se da fina camada de pele branca do resto de seu corpo. Metade de seu rosto parecia perdido e caído enquanto seus olhos o haviam abandonado dando lugar a fundos buracos negros de morte.
Tentei gritar, mas não havia mais do que suspiros e sibilos de angústia
Ela se aproximava seu corpo agora esquelético coberto pela fina camada de pano branco.
Tentei rezar, mas nada me vinha a mente além daquele rosto de morte. Tentei fechar os olhos, mas não havia mais controle dentro de mim. Eu a olhava fixamente, ela me encarava pronta para me atacar. Seu corpo começou a se contorcer a menos de um metro da minha frente. O barulho de ossos quebrando e torcendo era como tortura, seus olhos eram como poço sem volta. Tentei ir para trás enquanto seus olhos chegavam cada vez mais, mas o tronco não me permitia movimentos. Eu estava cercada.
O cheiro de carniça vindo de seu corpo era sufocante. Sua forma desfigurada parou curvada sobre meu pequeno e encolhido corpo. Ela me encarava com superioridade, como se estivesse com raiva de algo que fiz. Uma raiva incontrolável que me perseguiria pela eternidade. A raiva da culpa.
O que eu fiz? – quis dizer, mas as palavras não passaram de abandonados pensamentos.
Ela continuou me fitando como se tivesse ouvido meus pensamentos e confirmou minhas suspeitas.
Errou o caminho - ouvi uma voz rouca e morta dizer, mesmo sem haver uma alteração se quer da forma desfigurada acima de mim.
Fechei os olhos com dificuldade e força. Talvez eu merecesse morrer pelo menos fitando o escuro, sem precisar encarar aquela forma horrível, mas não. Eu não merecia. Aquilo parecia uma maldição.
Meus olhos se abriram sozinhos e então a forma desfigurada acima de mim gritou de forma aguda e amedrontada, jogando-se contra mim. O medo atacou e estourou cada veia do meu corpo até fazer a bomba de sangue parar.
Uma dor aterrorizante me atacou. Eu precisava gritar, mas não conseguia. Nada aliviaria aquela dor. Nada.
E então acordei novamente. O cenário era o mesmo. O cheiro era o mesmo. Levantei-me rapidamente do chão e olhei para o céu.
Não, era crepúsculo ainda.
Olhei para trás e encontrei um pequeno acampamento com dois adultos e uma criança brincando com um cachorro.
- Milla? – chamou um dos adultos, uma mulher de cabelos dourados e voz de sino. Tive a impressão de tê-la ouvido antes, mas decidi ignorar essa impressão, não parecia real.
- Sim mãe? – respondi.
- Deixe para fazer sua expedição amanhã, logo vai escurecer. Você pode se perder.
- Não – respondi sem entender nada. Sentia-me sem controle do que estava acontecendo. Como se meu corpo e minha mente não estivessem no mesmo lugar mais sim trocados, como se o corpo mandasse na mente – Vou agora.
- Milla, obedeça a sua mãe – disse uma voz grossa ao lado da fogueira. Seus cabelos negros mal poderiam ser visto a noite. Seus olhos negros eram fundos e insondáveis.
- Está bem – disse e entrei na barraca.
Quando todos os sons cessaram, abri o zíper lentamente e olhei envolta. A fogueira estava apagada e, no céu, um manto negro e opaco. Nada de lua ou estrelas. Envolta do acampamento, as barracas fechadas e inconscientes. Coloquei os pés para fora e segui para dentro da floresta.
Mandei meu corpo voltar, mas não tive resposta.
A floresta estava negra, a neblina cobria cada canto. Continuei andando até ouvir um pequeno barulho. Parecia passos, ou seriam pequenos animais andando? Não sabia dizer exatamente o que era, mas por algum motivo, sabia que não era bom.
Um som oco apareceu e então minha visão rodou até tudo desaparecer. Minha cabeça começou a doer e, mesmo de olhos fechados senti uma tontura. Eu parecia estar presa em minha própria cabeça.
Senti que estava sendo carregada por um bom tempo até cair com força no chão.
Um cheiro de grama e terra molhada subiu no ar até encher meus pulmões.
Aos poucos tentei abrir os olhos e vi uma luz branca de longe, parecia uma lanterna.
-Olá – chamei e vi a luz parar, mas ela não me respondeu.
Levantei da grama e vi uma fogueira grande, uma casa de madeira velha e algumas ferramentas.
Quando olhei para o lado vi a figura de um homem grande passar ao longe de algumas árvores.
- Ei – chamei com minha pequena voz, mas a senti um pouco trêmula.
Ele parou e me encarou de longe.
- O que você quer? – gritou grosseiro.
- Por favor – pedi – Ajude-me!
- É claro – ele disse e desapareceu na escuridão.
Fiquei perdida naquele lugar, sozinha, próxima a fogueira. Voltei para tentar me aquecer. Talvez ele aparecesse mais tarde para me ajudar. Eu precisava voltar ao meu acampamento. Minha mãe iria me matar se soubesse que fugi a noite na floresta. Não precisava dar a ela essa dor de cabeça nas férias.
Quando estava prestes a sentar em um pequeno banco de madeira, senti algo se agarrando ao meu pescoço. Uma voz grossa ria incontrolada atrás de mim. Ele segurava meu pescoço com as duas mãos, sufocando-me.
Senti minhas forças esvaindo-se como o ar que eu perdia aos poucos. Quando já não me restava mais que um suspiro, aquele homem tirou um ferro, cuja ponta estava na fogueira, e apontou-o para mim.
Jogou-me no chão amarrando-me os braços e uma mordaça na boca, impossibilitando-me de gritar e bateu cruelmente em meu rosto com aquele ferro quente. Senti meu rosto queimar e perfurar enquanto não podia expressar minha dor. Ele bateu com a ponta do ferro em cada um dos meus olhos e para finalizar apontou em meu peito.
- O que eu fiz? – perguntei já sem forças.
- Errou o caminho. – ele respondeu entre risos e enterrou o ferro em mim.
Eu não deveria ter saído do acampamento. Se não fosse tão teimosa.
- Eu me amaldiçôo - disse em um ultimo suspiro até sentir o calor consumir minhas veias até explodir em meu coração.
O ultimo cheiro que lembro ter sentido, foi o da terra molhada.
A ultima imagem foi a da minha mãe, chamando-me de volta para casa com sua linda camisola branca reluzindo com a luz do fogo.

E quando acordei, não pude ver mais do que a escuridão. Minha visão estava negra, ou seriam ainda meus olhos fechados e dormentes?
by Jess*

5 comentários:

Micha Djeiny disse...

me humilho.
=P

será que algum dia chegarei a esse nivel?

hoho²

muito bom Jess!
beijoos ;**

# נєѕѕ # disse...

uhasuhauhauhauh
humilhei nada ;p
abobada....
uhsusahuhauhauhuahuah
brigada Micha!

beeijooos*

Maldito disse...

Nossa,..gostei muito, me inspirou bastante para a série que pretendo iniciar no meu blog!
Inté!

# נєѕѕ # disse...

uhuashauh
Que boom que tu gosto!
beeijoos*

Laysha Vampira disse...

Que história surpreendente!
Macabra e sinistra como toda vampira adora!

Beijos querida...saudade de ti lá no blog!